O povo português fica indignado. Os republicanos encontram na atitude da monarquia uma demonstração de fraqueza. Há mesmo quem fale em traição nacional e culpe o rei de ser conivente com os interesses britânicos. É chegada a hora da mudança e a 31 de Janeiro de 1891, no Porto, rebenta a revolução.
A revolta tem início às 3 da manhã, com a reunião, no Campo de Santo Ovídio, dos regimentos de Caçadores 9 e Infantaria 10 e de uma companhia da Guarda Fiscal.
Os revoltosos descem a Rua do Almada, até à Praça de D. Pedro, a actual Praça da Liberdade. De todo o lado acorre gente. Da varanda do antigo edifício da Câmara Municipal do Porto, Alves da Veiga proclama a Implantação da República.
Com fanfarra, foguetes e vivas à República, a multidão decide subir a Rua de Santo António, hoje Rua 31 de Janeiro, até à Praça da Batalha. Mas, no topo da rua, posicionada na escadaria da igreja de Santo Ildefonso, impedindo a passagem, estava a Guarda Municipal. As tentativas para que se junte à revolução são infrutíferas. A certa altura, ao que parece, vindo da multidão, ouve-se um tiro. A Guarda dispara vitimando militares revoltosos e simpatizantes civis. É o caos. Uma das balas da Guarda Municipal atinge o porta estandarte da bandeira verde-rubra “Pátria e Liberdade”. A bandeira não pode ser abandonada, não pode ser capturada! Um dos revoltosos, José de Azevedo, comerciante no Porto, democrata e republicano, recolhe a bandeira, protege-a e guarda-a!
A Itinerante agradece a José Augusto de Azevedo Veloso, neto de José de Azevedo, a oportunidade que nos deu de mostrar esta bandeira, verdadeira relíquia e símbolo de um período conturbado da História de Portugal. Muito obrigado!


