Uma aposta bem ganha

Há cerca de uma década, Helena e Henrique decidiram, contra ventos e marés, abrir um espaço restaurativo, nos confins de Portugal, no lugar de Brufe, no Gerês.

O Abocanhado é um restaurante sem número na porta, situado no ermo da Serra Amarela, numa terra com poucos habitantes a cerca de 800 m de altitude, cujo projeto arquitetónico – da autoria dos arquitetos Manuel Maria Reis e António Portugal (já falecido) – foi alvo de dois prémios internacionais e em que é necessário reservar mesa para se poder degustar a sua oferta gastronómica.

Decididamente… não há que pensar duas vezes antes de o experimentar!

Em funcionamento desde 2004, o espaço foi concebido aproveitando a dinâmica estrutural da extensa encosta que se abre sobre o profundo vale do Rio Homem, onde os socalcos, ainda hoje conservados, foram a forma como o declive da serrania foi aproveitado para a agricultura e pastorícia.

Imóvel de linhas modernas, funcionando como mais um socalco na paisagem, a sua construção privilegiou a utilização do granito abundante na região em perfeita harmonia com a madeira.

A sala, decorada com mobiliário e outros elementos de design da autoria de Sisa Vieira, comunica com a esplanada exterior de forma contínua, através das grandes janelas envidraçadas, de onde se desfruta uma indescritível e inebriante panorâmica, a perder de vista.

A afabilidade e simpatia dispensadas na receção, que se prolongam ao longo de toda a refeição, predispõem para um repasto em ambiente familiar.

Chegados à mesa, onde impera o branco dos atoalhados, as entradas já nos aguardam.

Praticando uma cozinha regional, houve a preocupação da seleção de um cardápio próprio, assente no apuramento de um receituário familiar e em matérias-primas locais de qualidade. Não sendo longo, a singularidade e diversidade da sua composição torna a escolha embaraçosa.

Deixe-se, por isso, tentar por um bacalhau com migas ou em tibornada, por um cabritinho das encostas de Brufe, por um javali com arroz de carqueja, se houver, por uma posta de carne Barrosã ou por um inexcedível granizé estufado com vinho do Porto, de comer e chorar por mais.

Nos doces, não deixe de provar o doce da casa, um segredo também ele familiar, o requeijão com doce de abóbora, as peras bêbadas, a torta de laranja ou a aletria, entre outras gulodices.

Uma boa garrafeira completa o repasto a condizer.

Este Abocanhado é, não só, uma aberta em dias de chuva, como o nome significa no vocabulário local mas, definitivamente, uma aposta bem ganha!

Comentários

  • Já fui cliente desse restaurante, até encaminhei para lá muitos amigos, inclusivé estrangeiros aquando das suas férias em Portugal, entretanto deixou de estar na minha rota e dos meus amigos.
    A última vez que por lá fomos jantar, apesar de termos mesa reservada para as 20h e chegado atempadamente, fomos colocados a secar, para dar prioridade a um grupo, claramente mais interessante do ponto de vista económico, até a minha mulher a quem estes e outros atropelos passam despercebidos se aborreceu. Não bastava este incidente, sonhava eu com uma posta/naco barrosã, quando me servem um pequeno pedaço de carne acompanhado por uns pedaços microscópicos de couve (por acaso bastante boa), o prato servido à minha mulher também foi desinteressante e parco na quantidade … que era feito daquelas doses da tibornada de bacalhau que apesar de não ser nada de especial, era uma quantidade razoável (pelo menos a cebola)?; a sobremesa, torta de laranja também não nos convenceu, um bocado seca, a melhor que alguma vez comemos foi num tasco na serra Algarvia, depois de um divinal cozidinho de grão. Segue-se a telenovela da conta, entrego o cartão multibanco ao funcionário que vem de volta para informar que este não estava a funcionar, ao que respondi que não havia qualquer problema, tinha a carteira bem fornecida de cheques, responde-me que não aceitavam (claro que têm de aceitar até 150€),mais uma vez “viajou” até junto das casas de banho, onde estava a dona a tomar conta do multibanco portátil e voltou com a boa nova que eu podia lá ir pagar com o cartão pois que voltara a funcionar; caros, eu pago impostos de todos os míseros tostões que ganho, agora a técnica da avaria do multibanco quando a facturação do dia atingiu o valor declarado ao fisco já é um procedimento arcaico, se todos pagarmos impostos será mais fácil, além disso obrigarem-me a levantar da mesa para uma visita ao cantinho das casas de banho quando o aparelho era portátil também não ajudou a toda a infelicidade deste jantar, que terminou com a intuição de que a gorgeta de 5€ que tinha deixado à patroa para os seus empregados iria directamente para o seu bolso.
    Portugal está cheio de bons restaurantes, sem pretensões, mas com uma comida de excelência, em que quer os empregados, quer os donos mimam os seus clientes, não há necessidade de nos sujeitarmos a estes incidentes, principalmente quando nos temos que deslocar onde Judas perdeu as botas!

  • Luis Santos / 28-12-2011 / 12:36

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  • Morada
    Restaurante O ABOCANHADO
    Lugar de Brufe
    4840-020 BRUFE TBR
  • Telefone
    +351 253 352 944 | +351 911 173 517
  • Horário
    12h30m-15h30m e 19h30m-22h00m
    Dias de abertura/Opening days
    Consultar/ See www.abocanhado.com
  • Coordenadas
    N 41º 45’ 51.5” W 8º 14’ 22.2”

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