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Revista: Trilhos do Contrabando

Segundo alguns historiadores, fez-se contrabando na nossa fronteira terrestre desde a primeira metade do século XIII, sendo as populações da raia os principais atores desta atividade ilegal. Na maior parte dos casos, este contrabando era de subsistência, tornando-se em muitas regiões uma âncora de sobrevivência das populações, que transportavam para o outro lado da fronteira todo o tipo de mercadorias. Era o complemento possível a uma agricultura muito pobre e difícil.
Já no Estado Novo, os perigosos “jogos do gato e do rato”, evitando os guardas-fiscais, do lado de cá, e os carabineiros, do lado de lá, jogavam-se essencialmente à volta do contrabando de café. Procuravam-se os percursos mais agrestes e as noites de temporal, o que tornava esta atividade muito exigente, para além de perigosa.
Nesta Itinerante vai “ouvir” histórias e testemunhos de contrabandistas e guardas-fiscais e vai ficar a Conhecer melhor o sentir destas gentes da raia portuguesa que viveram, à volta do contrabando, momentos de esperança e de desespero, trágicos e divertidos, tristes e felizes. Momentos que até inspiraram poemas. Vai perceber porque é que, em tantos anos de perseguições e fugas, há a lastimar muito menos fins trágicos do que seria de esperar. E esta viagem no tempo vai fazê-la em várias mãos; mãos de contrabandistas, de guardas-fiscais, de esposas, de mães e de filhos, cada uma contando a sua história, acrescentando o seu ponto de vista. E se ficar curioso e quiser saber ainda mais, selecionámos várias e variadas fontes de informação sobre este tema na já habitual rubrica “Estante”.
Vai também encontrar 6 percursos pedestres à volta das fronteiras de norte a sul de Portugal continental, que lhe permitirão Caminhar e “respirar os ares” do contrabando. E quando for percorrê-los, tente imaginar as dificuldades que estas gentes encontravam nas suas caminhadas, cheias de carregos, em pisos difíceis e de noite, com medo, muitas vezes com mau tempo, sem botas nem blusões especiais, sem gore-tex, sem mochilas anatómicas... e surpreenda-se com a resistência necessária, tanto física como psicológica!
Deixamos-lhe ainda, como sempre, ótimas sugestões para poder Conviver no final do passeio, à volta de agradáveis e saborosas surpresas gastronómicas.
Contrabando: mais um tema incontornável para a sua coleção de pedestrianismo Itinerante!

In Editorial, Nuno Gama Nunes

 

Trilhos

  • Fóios - De Fóios a Navasfrias (Rota do Contrabando)

    Entre Fóios e Navasfrias, o percurso do contrabando atravessa uma bonita serra – a Serra das Mesas –, onde nasce o Rio Côa.
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    Galegos - De Galegos a La Fontañera (Rota do Contrabando do Café)

    Entre a aldeia portuguesa de Galegos e a espanhola La Fontañera, o contrabando, principalmente de café, fazia parte das atividades do dia a dia, permitindo a difícil subsistência dos habitantes, num ambiente agreste e de solo muito pobre.
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    Salvaterra do Extremo - De Salvaterra do Extremo a Zarza La Mayor (Rota do Contrabando)

    Este é um percurso inserido no extremo do Parque Natural do Tejo Internacional, de grande beleza paisagística, natural mas também com uma ruralidade esculpida pelo homem.
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    Santana de Cambas - De Santana de Cambas à Mina de S. Domingos (Rota do Contrabando)

    O percurso inicia-se na aldeia de Santana de Cambas onde se pode visitar um pequeno mas agradável museu do Contrabando.
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    Sobral da Adiça - De Sobral da Adiça à fronteira (Rota do Contrabando)

    Este percurso circular desenvolve-se no ambiente típico da região alentejana, tendo o seu início na localidade de Sobral da Adiça, junto à Igreja Matriz.
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    Tourém - De Tourém a Randin (Rota do Contrabando)

    Entre a aldeia portuguesa de Tourém e a galega Randin fazia-se outrora do contrabando a principal atividade de subsistência, uma forma de vida que garantia o sustento e compensava uma agricultura insuficiente.
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