No passado ano em Setembro, a selecção das sete maravilhas naturais de Portugal teve um enorme conjunto de virtudes: mostrou a enorme variedade paisagística do país e a sua biodiversidade, mas expôs em muitos casos as transformações penalizadoras em algumas áreas, os problemas que subsistem e que se podem agravar; motivou e mobilizou gentes das terras abrangidas para apresentar o seu património natural aos restantes portugueses e ao mundo, ao mesmo tempo que, ao olharem à volta e ao revisitarem cada uma das áreas, se foram apercebendo do quanto ainda há por melhorar; para a delícia de muitos que leram, ouviram ou viram imagens das candidatas, muito se descobriu e aprendeu. Espera-se que um amor pela preservação dos valores possa ter renascido.
Cuidar das sete maravilhas, mas também de todo o outro património natural que temos, é um dever para com as próximas gerações, em linha com o que se designa por desenvolvimento sustentável. Um futuro sustentável para as maravilhas, só é possível se se perceber que quem vier a seguir tem o direito a olhar para cada um dos locais com uma história, uma evolução e um património natural que nos oferece muito, pedindo pouco. Para tal é preciso uma vontade política que tenha essa visão tão longínqua como o horizonte de algumas paisagens que agora ficaram no leque das sete eleitas.