No coração do invulgar monumento geológico conhecido por “Serra da Arrábida”, definida pelo Oceano e pelos grandes rios do Sul, o Tejo e o Sado, surge a enseada do Portinho da Arrábida, adornada pela cénica Pedra da Anicha. Este recanto revela-se como uma genuína “rapsódia” da Arrábida, consagrando um pouco de tudo o que esta montanha significa e tem para partilhar: o seu património geológico, ambiental e cultural, nomeadamente histórico-arqueológico e mágico-religioso.
Desde os primeiros homens da Pré-história Antiga, até aos nossos dias, o Portinho da Arrábida tem vindo a registar uma ininterrupta sequência de ocupação, particularmente evidente nas suas grutas e abrigos. Estes recantos naturais, abertos por acção natural no ventre da Terra, revelam-se como as primeiras opções de refúgio, culto aos mortos e retiro espiritual; claras manifestações de um íntimo passado de coexistência entre a força natural da Serra e a espiritualidade dos seus ocupantes, uma carga de misticismo natural explorada desde a Pré-História até aos dias de hoje.
O “culto das grutas” aparenta ter continuidade numa curiosa iconografia naturalista, bem patente na arquitectura e arte do Convento da Arrábida, manifestando-se na criação de grutas artificiais forradas com conchas; em várias guaridas, algumas erigidas sobre cavidades; e na ornamentação de nascentes de cariz salutífero.
Vaidosa musa de poetas, a Arrábida de Frei Agostinho da Cruz e de Sebastião da Gama, pousa intemporal para quem quiser sentir e viver a sua natural espiritualidade.


