São dez as cartas referentes a aforamentos de casas de propriedade régia em Portalegre e tendo em conta que as casas aforadas eram “dianteiras”, isto é, com fachada para a rua, para a sua exacta localização o tabelião usou como referência a igreja de Santiago.
Dizem as cartas que as propriedades se situam na “rua de Santiago” ou, numa designação mais completa, na “rua do postigo de Santiago”, isto é, numa rua que irá desembocar no postigo da muralha fronteiro à igreja de Santiago: o templo sobre o qual foi erguido o actualmente existente, que é do século XVI.
O adro desta igreja é outro ponto de referência no tecido urbano. Podemos traçar, na planta de Portalegre, um “adro de Santiago” rodeado de casas com seu celeiro e, algumas, com cavalariças.
A igreja de Santiago, situada na zona oriental da vila e fora das muralhas, ficava no caminho que conduzia ao Crato.
Em Elvas, a documentação estudada refere o aforamento de um terreno, propriedade do concelho. O terreno, que, pelo preço, seria amplo, é aforado a um “físico” (médico) morador na vila, com o compromisso de aí construir uma casa. O local expressamente mencionado era a “praça da rota de Santiago”: uma praça situada no caminho que levava a Estremoz.
Portalegre e Elvas eram duas vilas periféricas, pois jamais a corte, então itinerante, tocou, sequer, as áreas próximas: locais periféricos num reino geograficamente periférico em relação aos demais reinos da cristandade. São também zonas de fronteira, especialmente instáveis num reino em que a paz era recente e nunca definitiva. Mesmo assim, puderam juntar-se à grande família das urbes jacobeias.
Versão completa na Revista ITINERANTE n.º 3
