Por terras saloias

Muitos são os pontos de interesse que podemos admirar ao passear pelos seis municípios por onde se estendem as Linhas de Torres – Arruda dos Vinhos, Loures, Mafra, Sobral de Monte Agraço, Torres Vedras e Vila Franca de Xira. Além de detentores da herança colectiva que são os redutos militares, estes concelhos têm um património natural e arquitectónico diversificado a merecer visita.

Comecemos por Loures, outrora uma vila de charme – para as suas quintas vinham reis e nobres fugindo às pestes que atingiam Lisboa –, que tão mal tratada foi nas últimas décadas e que tão descaracterizada está. Existe actualmente uma grande preocupação na recuperação do património do concelho que recaiu até na busca de uma identidade gastronómica. Inicie o seu passeio no Cabeço de Montachique, local de eleição para ver toda a região, depois visite a Igreja Matriz de Nossa Senhora da Assunção e o Palácio do Correio-Mor, ao que tudo indica construído por Canevari, o arquitecto italiano de D. João V. Imperdível é também a praça monumental de Santo Antão do Tojal, um conjunto arquitectónico barroco, composta pelo Palácio dos Arcebispos, a Igreja Matriz de Santo Antão, a Fonte Monumental e o Aqueduto, da autoria de Canevari. O palácio é um dos melhores exemplares da arquitectura setecentista em Portugal. Foi executado sob os auspícios de D. Tomás de Almeida para receber D. João V nas suas deslocações a Mafra durante a construção do convento.

A caminho da Arruda dos Vinhos, pare em Bucelas. Aprecie o seu vinho branco, da casta Arinto e visite a igreja de Nossa Senhora da Purificação, edificada na segunda metade do século XVI.

Na Arruda dos Vinhos embrenhe-se pelas ruas do centro histórico e conheça a Igreja Matriz de Nossa Senhora da Salvação. Nas imediações, visite o Palácio do Morgado, do século XVIII e o chafariz pombalino. Suba até Forte do Carvalha, reduto das linhas de Torres, um dos pontos mais altos do concelho; em dias de céu azul vê-se o Palácio da Pena em Sintra, o Cristo Rei, a Serra da Arrábida e uma grande parte da lezíria ribatejana.

Parta para Sobral de Monte Agraço, um concelho com relevo acentuado e irregular. O Forte de Alqueidão, construído num dos pontos elevados, é um dos melhores miradouros da Estremadura. A caminho do Alqueidão passe pela Igreja de Santo Quintino, do século XVI, um autêntico museu do azulejo, pela capela de Nossa Senhora da Fé, na Zibreira da Fé, dos começos do século XVII, e pela Igreja de Nossa Senhora da Purificação, em Sapataria.

Em plena vila de Sobral, a Praça Dr. Eugénio Dias, de cariz arquitectónico pombalino, palco de batalhas sangrentas nas invasões francesas é um excelente local para retemperar forças. Se tem interesse pelas questões vinícolas, passe pelo Núcleo Museológico do Vinho, instalado numa antiga adega e onde pode conhecer os métodos e técnicas empregues na viticultura e vinificação local.

Parta em direcção a Vila Franca de Xira deixando para trás a paisagem ondulada e rural e descendo para as planícies imensas que o Tejo atravessa e molda. Passeie pelos seus miradouros – do Senhor da Boa-Morte, de Monte Gordo e da Boavista – e pelas suas quintas e casas nobres: o Palácio do Sobralinho, perto de Alverca, rodeado de formosos e aprazíveis jardins, a Quinta da Subserra, construída no século XVII, hoje propriedade municipal e a Quinta da Fábrica, em Povos, onde foi instalada, em 1729, a primeira fábrica de curtumes, são algumas delas.

O património arquitectónico religioso tem na igreja de S. Bartolomeu, em Castanheira do Ribatejo, na igreja Matriz de Vila Franca de Xira e na igreja da Misericórdia alguns excelentes monumentos de arte sacra. De cariz profano ressaltam o Monumento das Linhas de Torres, na freguesia de Alhandra, no alto do monte que domina aquela vila e os pelourinhos de Vila Franca de Xira e de Povos, ambos manuelinos. Aproveite e dê um passeio no Tejo, a bordo do barco varino que se apanha no cais de Vila Franca, com passagem pelos mouchões e observação da fauna e flora locais.

Está na altura de virar para ocidente, em direcção ao oceano Atlântico. Os concelhos de Torres Vedras e Mafra fazem parte de um território em que a costa marítima e o campo se interligam. É um espaço unido por uma herança cultural comum, num apego muito forte à terra e ao mar. Comece por retemperar forças à beira-mar, na Ericeira (Mafra) ou em Santa Cruz (Torres Vedras) e delicie-se com o fresco marisco famoso na região.

No concelho de Mafra, destaca-se a Serra do Socorro, local escolhido para a implantação do posto central de comunicações (semáforo) durante a terceira invasão francesa, com a ermida de Nossa Senhora do Socorro, um excelente miradouro para apreciar a região.

O património arquitectónico religioso encontra-se presente em todo o concelho, mas Mafra é, sobretudo, o conjunto monumental formado pelo Palácio, Convento e Basílica mandado construir por D. João V. A Tapada Nacional de Mafra, criada após a construção do convento, é um local aprazível para passear; vai ter oportunidade para ver gamos, veados e javalis.

Em Torres Vedras visite o castelo – no seu interior encontra-se a igreja de Santa Maria do Castelo – passeie pelo centro histórico, com as suas ruas estreitas de traçado medieval e delicie-se com os famosos pastéis de feijão. Descubra o Chafariz dos Canos, e o Convento da Graça, fundado no século XVI, hoje ocupado em parte pelo Museu Municipal e cuja sala dedicada às Linhas de Torres justifica a visita.

Os arredores da cidade também merecem referência. A Igreja de S. Pedro, em Dois Portos, o Convento de Santo António, no Varatojo, o Palácio de D. Maria Francisca Benedita, em Runa e as Termas dos Cucos e do Vimeiro são alguns desses locais a merecer passeio.

Terminámos a nossa viagem… Certamente que outros pontos de interesse existem nestes concelhos a merecerem uma visita. Por isso, aventure-se! Vai valer a pena!

Versão completa na Revista ITINERANTE n.º 1

Comentários

  • Excelente. Para quem não passou por estas bandas, fica com vontade de conhecer e de provar aquilo que é recomendação. Parabéns!

  • Filomena Lopes Carichas / 29-11-2009 / 16:56

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