Pico (Açores) – Uma montanha única

Imagine uma ilha com 447 quilómetros quadrados, com uma montanha alta, bem alta, campos carregados de vinha, muita vinha e mar, muito mar à volta… Não precisa imaginar! Essa ilha existe: é a ilha do Pico, a segunda maior ilha do Arquipélago dos Açores e que, juntamente com as ilhas do Faial, São Jorge, Graciosa e Terceira, faz parte daquilo que comummente se chama o grupo central.

Os primeiros povoadores, vindos sobretudo do norte de Portugal, chegaram ao Pico por volta de 1460 e dedicaram-se à cultura do trigo. Algum tempo mais tarde chegaram ao Pico as primeiras cepas de verdelho com as quais começaram a cultivar a vinha.

A ilha, de origem vulcânica – a primeira erupção aconteceu há cerca de 40.000 anos e a última em 1720, estando todos os vulcões dados como extintos, actualmente –, obrigou a um árduo trabalho de transformação dos campos de lava em vinhedos.

As características específicas do solo, a que se associam condições climatéricas ímpares, tornaram o vinho, nos séculos XVII, XVIII e inícios de XIX, a principal actividade económica da ilha. O vinho produzido era de tão excepcional qualidade que ganhou fama em todo o mundo: era bebido na corte inglesa e à mesa dos czares. Até Leão Tolstoi, em “Guerra e Paz”, lhe faz referência.

Mas, em meados do século XIX, veio a filoxera e o célebre verdelho desapareceu. Restaram pequenas parcelas, de fabrico caseiro, para consumo local. Só que, há uns anos atrás, um grupo de agricultores decidiu criar a Cooperativa Vitivinícola da Ilha do Pico e, tal como no passado, voltou a cultivar as vinhas nas pequenas quadrículas formadas por muros de pedra basáltica, junto ao mar, nas fendas das rochas, produzindo um vinho licoroso que hoje toma o nome de Lajido, legítimo herdeiro do velho verdelho.

A Paisagem da Cultura da Vinha da Ilha do Pico é, desde 2004, um sítio classificado pela UNESCO e pode apreciá-la ao iniciar a sua subida à montanha.

Com os seus 2351 metros, a montanha do Pico é o ponto mais alto de Portugal e o seu formato cónico é sinal evidente da origem vulcânica da ilha. A beleza da cratera central ou Pico Grande, com cerca de 700m de diâmetro, é de cortar a respiração. Numa das extremidades da cratera está o Piquinho ou Pico Pequeno, um cone vulcânico que se eleva 70m acima da orla da cratera de onde emanam colunas de fumo. Este é o ponto mais alto da montanha. É complicada esta subida final mas, se estiver um dia de céu limpo compreenderá o que é a imensidão do mar e vai conseguir avistar as restantes ilhas do grupo central. É por tudo isto que se diz que o Pico é, provavelmente, um dos mais belos vulcões do Mundo.

Subir ao Pico continua a ser um dos principais objectivos de quem vai à ilha. Por isso, se sente que está em boas condições físicas – são “só” cinco quilómetros, mas são muito exigentes – ponha-se a caminho. Assegure-se de que as condições meteorológicas o permitem e vá acompanhado de um guia. Eles são o garante de que a sua subida será um sucesso e um prazer.

Os portugueses reconhecem a beleza e monumentalidade da montanha do Pico; a Paisagem Vulcânica da Ilha do Pico foi eleita, na categoria Grandes Relevos, Maravilha Natural de Portugal. Aventure-se!

Comentários

  • Tentei subir ao Pico….mas o tempo não permitiu e tínhamos uma boa guia…Mas a beleza acompanhada dos arco-íris é inesquecível…Que mensagem nos diriam?
    Talvez mais altruísmo,
    Talvez mais cuidado com a natureza,
    Talvez mais harmonia e conexão com a natureza,
    Talvez e quase certo de que o homem precisa de ser humano e crescer com mais AMOR…
    Um obrigada a todos os acompanhantes e à excelente guia Cecília que mora na Madalena….
    Obrigada Pico

  • Maria de Lurdes Monteiro da Fonseca / 01-08-2014 / 15:03

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