O Raid das Linhas de Torres Vedras. Um caso de sucesso - A opinião de Miguel de Vasconcellos Guisado

O Raid Hípico, que já vai na V edição, surgiu da conciliação dos interesses de proprietários rurais locais das quintas históricas da zona central das Linhas de Torres Vedras com a Associação dos Cavaleiros pela Resistência Equestre, integrada na Federação Equestre Portuguesa. O objectivo principal do raid é a divulgação e valorização de todo o potencial do património histórico e turístico afecto às Linhas de Torres Vedras, muito pouco conhecido e aproveitado ao nível nacional, mas já reconhecido internacionalmente como o mais eficaz sistema de defesas de campo de todos os tempos e com possibilidade de se tornar no Waterloo do Sul da Europa. Waterloo é, sem dúvida, um exemplo de sucesso: em plena crise do mundo rural acolhe, anualmente, largas centenas de milhares de turistas com um retorno económico fantástico para a região envolvente. Nesse contexto os aliados e inimigos do passado, são hoje, ironicamente, o alvo turístico preferencial, desde que asseguradas as necessárias condições ao desenvolvimento sustentável e de qualidade da actividade, susceptível de agradar a todos, inclusive ao mercado nacional.

O projecto Raid hípico é assim uma excelente acção de marketing das Linhas, onde o evento equestre é estrategicamente usado para mostrar e divulgar um espaço histórico e turístico único. Os cavalos são respeitados e admirados pela maioria da população e garantem a utilização sustentável de todo este património monumental. A prova desportiva é no fundo uma forma suave e ilustrada de informar e cativar as pessoas para a nossa história e espaço rural, sem recorrer às tradicionais injecções históricas, que se ficam apenas pelo passado, sem qualquer ponte com o futuro e perspectiva de retorno turístico.

Há, contudo, muito trabalho de pesquisa histórica por trás do raid, que inclui memórias locais guardadas ao longo de gerações, trabalhos de investigação conceituados, intensa recolha bibliográfica, a própria imagem de promoção etc, Tudo foi devidamente ponderado durante anos para que o evento conseguisse abrir horizontes para além da prova desportiva federada de tempo limitado e o itinerário escolhido pudesse integrar, ao longo dos seus 75 km, os locais de maior potencial turístico e suporte histórico. O percurso do raid é óptimo para acções de turismo equestre, pedestre ou btt em natureza, começando mesmo a atrair a atenção para iniciativas nas referidas áreas..

O Raid do Bicentenário realizou-se a 20 de Março e contou com a participação especial de Lord Arthur Charles Wellesley, então Marquês do Douro e Torres Vedras. O herdeiro do Ducado de Wellington e actual Duque de Cidade Rodrigo, usou o dorsal 33, número do regimento do seu tetravô, o grande General, e montou um excelente cavalo árabe pertencente a Rui Brazão, muito semelhante ao preferido do Duque de Ferro, o Copenhagen. Foi, sem dúvida, um momento alto para a valorização e promoção da rota histórica e turística, constituída por fortes, estradas militares, aldeias históricas e quintas quartéis generais, por entre paisagens rurais deslumbrantes.

Versão completa na Revista ITINERANTE Especial 2010 – Linhas de Torres Vedras

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Sobre o autor

Miguel de Vasconcellos Guisado

Presidente da Comissão Organizadora do Raid das Linhas de Torres Vedras

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