Os soldados de Massena avançam desgastados descendo do Buçaco para as Linhas de Torres em direcção à desejada Lisboa. O apoio logístico da retaguarda é difícil com os alimentos a escassearem; para trás ficaram esquecidos alguns animais que a pressa não deixou salvar e os esgotados cavalos dos carros com o material de apoio são substituídos pelos burros que conseguem apanhar – tal como na sua terra, também aqui estes animais estão domesticados e habituados a transportar grandes cargas.
O burro acompanha o homem desde há milhares de anos. É dócil, paciente, aceita o seu trabalho com nobreza e humildade, e, contrariamente á fama que tem, é um animal inteligente.
A sua importância tem tradução nas artes como a pintura e a literatura; o burro é, por exemplo, a montada de Sancho-Pança, escudeiro de D. Quixote de la Mancha. Também na religião é citado, sendo aceite que é num burro que Jesus terá entrado em Jerusalém no Domingo de Ramos e segundo a tradição islâmica Maomé subiu aos céus a partir do Rochedo em Jerusalém também montado num burro.
Não será fácil nas nossas caminhadas pelas Linhas de Torres avistar um burro pois está em declínio na região mediterrânica mas, se tivermos essa sorte, façamos um pequeno desvio do percurso e vamos observá-lo de perto dando-lhe a atenção que merece.
Versão completa na Revista ITINERANTE n.º 1

Curioso…
Noto que sem pretender ser o objectivo fundamental a Itinerante acaba por ter uma vertente com caracter ecológico realçando os aspectos naturais das diversas localidades que são de extrema importãncia para preservação do nosso eco-sistema. Mais motivos nos dá a Itinerante para que preservemos espécies pela sua carga histórica! Muito Interessante!