No início do século XIX toda a Europa estava em guerra. As duas grandes potências europeias lutavam pela hegemonia do Velho Continente: a França dominava em terra, a Inglaterra era senhora dos mares. No final de 1806 (21.Nov), Napoleão impôs o Bloqueio Continental: os portos continentais deviam encerrar aos navios, mercadorias e comerciantes ingleses criando assim dificuldades ao aparelho produtivo e mercantil britânico. Quase toda a Europa subjugada ao domínio napoleónico aderiu; apenas dois reinos não respeitavam o Decreto de Berlim: a Rússia e Portugal.
Os russos, depois das derrotas de Eylau (8.Fev.1807) e Friedland (14.Jun.1807), foram obrigados a assinar o Tratado de Tilsit (7.Jul.1807). Só Portugal escapava a Napoleão. A costa portuguesa, os arquipélagos da Madeira, Açores e Cabo Verde e as colónias, sobretudo Guiné, Angola e o Brasil, eram cruciais para Napoleão e para a sua estratégia de enfraquecer a Inglaterra, velha aliada e principal parceira comercial de Portugal. Por isso, Napoleão decidiu invadir Portugal.
Primeiro mandou Junot, em Novembro de 1807. Foi um fracasso; não concretizou nenhum dos grandes objectivos previstos: não conseguiu prender a Família Real nem conseguiu apresar a frota portuguesa, tão importante que seria para fazer frente à armada inglesa… Apesar disso, durante 5 meses governou Portugal. Se de início as reformas foram bem aceites e tudo parecia correr-lhe de feição, com o decorrer do tempo algumas medidas anti-populares e o pulso de ferro imposto criaram um profundo mal-estar levando a que, pelo país, e à semelhança do que se passava em Espanha, surgissem levantamentos antifranceses. Com a chegada do auxílio inglês, sob o comando do general Arthur Wellesley, vieram as vitórias anglo-lusas nas batalhas de Roliça (17 de Agosto) e do Vimeiro (21 de Agosto) e Junot foi obrigado a assinar a sua capitulação na Convenção de Sintra, a 30 de Agosto de 1808.
Depois, em Março de 1809, veio Soult. Foi, acima de tudo, o prolongamento da acção que os franceses tinham desencadeado com sucesso, na Corunha, e que levara ao desmantelamento das tropas britânicas de John Moore. Soult conseguiu atingir o Porto a 29 de Março. Os britânicos, chegando pouco tempo depois, obrigaram o exército francês a fugir, de forma atabalhoada, abandonando o território nacional por Chaves, em meados de Maio. Pouco mais de dois meses durou a segunda tentativa francesa de dominar Portugal.
Finalmente, na Primavera de 1810, Napoleão fez uma nova tentativa para conquistar Portugal. À frente das tropas vem Massena, Marechal de França, Duque de Rivoli, Príncipe de Essling..
Massena entrou em Portugal pela fronteira da Beira. Conquistou Almeida e enfrentou, de novo, o exército anglo-luso no Buçaco. Apesar de derrotado conseguiu ladear as forças aliadas e progrediu para Sul. Foi ao aproximar-se de Lisboa que Massena encontrou pela frente as Linhas de Torres, provavelmente o mais eficiente sistema de fortificações de campo da História Militar. Sem forma de as ultrapassar, enfrentando a rebelião dos seus oficiais, a fome e a doença dos seus soldados e o frio e a chuva, Massena iniciou a sua retirada na noite de 15 de Novembro, a coberto do nevoeiro, deixando bonecos de palha no lugar dos soldados. Perseguido pelas forças aliadas abandonou Portugal no dia 5 de Abril de 1811.
As Linhas de Torres eram um conjunto de pequenos fortes que se estendiam do Tejo ao mar, com o objectivo de defender Lisboa de uma previsível invasão do exército francês.
A primeira linha ia de Alhandra, passando por Sobral de Monte Agraço e Torres Vedras, até à foz do rio Sizandro e tinha cerca de 60km. A segunda linha, com cerca de 40km, ia de Santa Iria da Azóia até à Ericeira (foz do Safarujo), e passava por Vialonga, Cabeço de Montachique e Tapada de Mafra. A terceira linha fazia um arco de círculo; começava um pouco para lá de Algés e ia até S.Julião da Barra. Tinha cerca de 3km.
O quartel-general de Wellington ficou instalado em Pêro Negro, a cerca de 20 minutos, a cavalo, do Forte Grande do Alqueidão. As instalações do general Williams Carr Beresford, comandante do exército português, ficavam cerca de 1,5km a sul, em Casal Cochim, num pequeno palacete dos finais do séc. XVIII.
Perto de Pêro Negro fica o Monte do Socorro, onde existiu um telégrafo de sinais, operado por especialistas da marinha, que enviava mensagens em cerca de três minutos até ao flanco esquerdo ou direito das linhas e de um flanco ao outro em cerca de sete minutos.
As Linhas de Torres, pedra angular da estratégia preconizada pelo Duque de Wellington, são consideradas por muitos historiadores como o mais eficiente sistema de fortificações de campo da História Militar, com a particularidade de só terem custado 100.000 libras, um dos investimentos mais baratos de toda a História Militar.
Versão completa na Revista ITINERANTE n.º 1



Brilhante
Antes do mais, parabéns pela Revista, que vem preencher uma lacuna há muito sentida. Finalmente têm os Pedestrianistas um veículo previligiado de divulgação da sua actividade! Enquanto Monitor e Formador, mas, acima de tudo, enquanto amante do Pedestrianismo, não posso deixar de vos felicitar pela beleza das fotografias, pela eloquência e acuidade dos textos e pela apresentação de novos trilhos para descobrir e saborear.
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José Monteiro
Parabéns.
Vou comprar.
O primeiro n.º tem a minha cara
Vitor Sérgio
Excelente publicação . Parabéns pelo tema e espero que durante muitos anos possa comentar.
um bem haja.
Clacaminheiros
jpimenta
Muitos parabéns pela revista. Temos orgulho em saber que os criadores são nossos Amigos! As maiores felicidades para os números que se seguem. Este avivou-me a memória para algo, cujos pormenores já tinham ficado lá para trás.
Beijocas
Um excelente artigo! Este é o caminho cultura+lazer!
…Fazia falta uma revista transversal a todos os andarilhos, caminheiros etc. Um elo de ligação, um trilho comum!
Venham daí artigos com introdução técnica para escolha de material, utilização de meios de navegação, meios de segurança e primeiros socorros….e fundamental: NORMAS DE CONDUTA na montanha e meios rurais!
Todos nós necessitamos de aprender mais…
Votos de sucesso…(eu já assinei!)
Como responsável por uma empresa de animação turística que visa o turismo de natureza que inclui muitos passeios a pé, não posso deixar de vos dar os parabéns pelo vosso trabalho dedicado ao pedestrianismo.
Votos de sucesso…
Está um espectáculo.
Amanhã vou comprar.