Faroleiro Martins dixit

- O farol é como o pneu suplente dos carros. Na primeira altura em que uma roda está vazia pensamos logo: “Eh pá! O pneu suplente…” e vamos procurá-lo. Com os faróis passa-se exactamente o mesmo; ao primeiro percalço a primeira coisa que procura quem anda no mar é um ponto em terra para se orientar: o farol mais próximo. E, tal como o pneu suplente, se não estiver a funcionar convenientemente pode ser muito complicado…

- Leça da Palmeira está muito diferente…Há uma dúzia de anos não havia nada aqui em redor… Tenho camaradas que andavam embarcados e que, quando aqui voltavam ficavam admirados.

- Na brincadeira, costumo dizer que este farol, com este ascensor, tem o segundo 1º andar mais alto de Portugal… Em primeiro está o Farol de Aveiro.

- O dia de trabalho de um faroleiro é… um dia normal. Não é, claro, um trabalho das nove às cinco, de segunda a sexta, porque nós temos uma obrigatoriedade de continuidade de serviço. Temos que manter o farol sempre a funcionar.

- Antigamente o faroleiro era o homem dos sete ofícios. Por isso nos cursos recebia-se formação na área da serralharia, da mecânica, da carpintaria, de tudo isso. E nos faróis havia maquinaria para dar andamento a esse tipo de trabalhos. Hoje em dia é quase tudo à base da electrónica, praticamente todos os sistemas funcionam em automático.

- Aqui em Leça, o sinal é um grupo de três relâmpagos. Temos o primeiro relâmpago de 0.2 segundos, depois temos um eclipse de 2.2 segundos, segundo relâmpago de 0.2, segundo eclipse de 2.2, terceiro relâmpago de 0.2m e o último eclipse, maior, dura dez segundos. Dá um período de 15 segundos.

Depoimento recolhido no dia 20.Janeiro.2010, no Farol de Leça da Palmeira.

Versão completa na Revista ITINERANTE n.º 2

Comentários

  • Quero felicitar-vos pela vossa revista dedicada aos faróis de Portugal.
    Sou faroleiro há 10 anos e neste momento estou a prestar serviço no Farol do Cabo Espichel. Esta é a minha 3ª comissão: já prestei serviço nos faróis do Cabo Carvoeiro e Berlenga e no Farol do Penedo da Saudade em São Pedro de Moel. Despeço-me com uma frase de José Mattoso, na qual me inspiro na minha gratificante profissão de FAROLEIRO.
    «Se a luz é o único antídoto contra as trevas, e a terra o único lugar firme perante a insegurança do mar, o Farol não pode deixar de ser o símbolo da esperança.»
    Nuno Miguel Carreto Dias da Silva / Faroleiro 2ª Classe

  • Nuno Miguel Dias da Silva / 06-04-2010 / 16:50

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