Faróis: Guardiões do Mar dos Açores

Nos Açores os faróis são relativamente recentes; o da Ponta do Arnel, em São Miguel, foi o primeiro a ser construído, em 1876, com a época áurea de construção a acontecer entre 1908 e 1927: Serreta, na Terceira (1908), Ponta das Lajes, nas Flores (1910), Ribeirinha, no Faial (1919), Ponta do Albarnaz, nas Flores (1925), Ponta do Topo, em S. Jorge (1927) e Gonçalo Velho, em Santa Maria (1927).

Dois dos faróis originais encontram-se em ruínas e inactivos. A história dos Açores é marcada pelas catástrofes naturais e os faróis também “sofreram” os efeitos; o vulcão dos Capelinhos, no Faial (1957/8), e os sismos de 1980 e 1998, destruíram parte do património insular, levando à sua destruição e degradação, por vezes com a consequente desactivação.

Mas continua a ser um espólio rico e pouco conhecido, um importante legado arquitectónico com valor cultural e histórico na redescoberta da nossa tradição marítima, um património do qual nos podemos orgulhar, para a manutenção e preservação do qual nunca é demais despertar as consciências.

Os faróis e farolins fazem parte da história dos Açores, mais não seja por ser um arquipélago onde a figura do farol é um marco indispensável a quem anda no mar e que acaba por constituir uma interessante envolvente paisagística, que a todos fascina, seja em terra ou no mar.

O farol é acolhedor e fascinante o ano todo. Quando estamos na murete de um farol, de dia ou de noite, parece que o mundo nos pertence. Até a Mãe Natureza está mais próxima, dando-nos a sensação de estarmos a ser “embalados” na presença do infinito.

Visite-os enquanto alguns deles dispõem de faroleiros. Actualmente, nos Açores, não chegam a trinta e cinco os homens e as mulheres – sim, aqui há mulheres-faroleiro! – que, diariamente, garantem, sobre o mar, luzes fascinantes a brilhar e a “varrer” na escuridão destas ilhas míticas, mal reconhecidas e “perdidas” no espírito daqueles que não navegam.

(Texto e Fotos de Eduardo Furtado)

Versão completa na Revista ITINERANTE n.º 2

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