Cristo Rei, com Lisboa e o Tejo a seus pés

Garanto: o Cristo Rei, em Almada, é o local ideal para admirar a beleza de Lisboa. E não é nada difícil cá chegar. Do centro de Almada, a pé, de transporte público ou em veículo próprio, dez, quinze minutos depois de partir, estamos a entrar no Santuário de Cristo Rei, com Lisboa a nossos pés. São os carros na Ponte sobre o Tejo, os cacilheiros no rio, é a azáfama de uma grande cidade desfrutada de um local bem sossegado, que nos transmite paz.

Foi em outubro de 1934, durante uma viagem ao Brasil, que o então Cardeal Patriarca de Lisboa D. Manuel Gonçalves Cerejeira, perante a beleza do Cristo Rei do Corcovado, idealizou Lisboa também ela abraçada por Cristo Rei. O início da 2.ª Grande Guerra deu novo alento ao projeto: a 20 de abril de 1940, em Fátima, os bispos reunidos no seu retiro anual, formularam um voto: “Se Portugal for preservado da Guerra, erguer-se-á sobre Lisboa um monumento ao Sagrado Coração de Jesus, sinal visível de como Deus, através do Amor, deseja conquistar para si toda a Humanidade.”

Portugal não participou na guerra e a 18 de janeiro de 1946, cerca de um ano após o seu final, o episcopado português, na Pastoral Coletiva, declara, formalmente a sua intenção de erguer o monumento a Cristo Rei. A campanha de angariação de fundos intensifica-se a partir dessa data e, com maior ou menor morosidade, as diversas etapas vão-se sucedendo até à inauguração que aconteceu a 17 de maio de 1959, presenciada, segundo relatos da época, por 300.000 pessoas!

Depois disso muitas têm sido as obras realizadas no Santuário. Segundo o Padre Sezinando Alberto, atual Reitor do Santuário, “as obras que têm sido feitas no santuário, na linha do que foi a preocupação dos anteriores reitores, têm como principal objetivo a criação de melhores condições para os peregrinos e visitantes”. Por isso, “a Câmara Municipal de Almada fez um estudo do enquadramento estratégico do santuário na cidade, com o objetivo de valorizar e qualificar esta zona na perspetiva do turismo em geral e da motivação religiosa em particular, propondo também alterações ao Plano Diretor Municipal permitindo a construção de diversos equipamentos”, nomeadamente, uma pousada para peregrinos, uma esplanada para grandes celebrações e uma nova igreja com capacidade para 1.000 pessoas. Desse plano faz também parte a requalificação da frente ribeirinha o que irá permitir a marcação de caminhos pedonais para acesso ao santuário, pela encosta do Tejo. Para nós, caminheiros itinerantes, esta é uma excelente notícia, mais um motivo para visitar o Cristo Rei e nos deleitarmos com a vista surpreendente que daqui se tem sobre Lisboa e o Tejo.

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