Durante anos, os súbditos, impotentes às atrocidades do rei, viveram em pesadelo. Mas um dia, um jovem corajoso e valente decidiu pôr cobro à situação e prometeu à noiva que ela não se sujeitaria a tal vexame. Temendo pela vida do seu amado, ela pediu proteção a Nossa Senhora e prometeu erguer-lhe uma capela se o noivo saísse ileso de tão difícil empreitada.
No dia do casamento tudo corria naturalmente quando, no momento de prestar vassalagem ao rei, o jovem, ao cumprimentá-lo, puxou do punhal e matou-o. Num ápice, todos os outros jovens, cúmplices, desembainharam as suas facas e punhais e atacaram os mouros que ali estavam. Os gritos lancinantes foram ouvidos pelos outros mouros que de todo o lado surgiram para vingar a morte do seu rei. A batalha tornou-se desigual; feridos e cansados, os jovens cristãos começavam a esmorecer, quando uma Senhora vestida de branco apareceu e lhes ungiu as feridas com o bálsamo de um vaso que trazia na mão. Os jovens imediatamente se sentiram melhor e ganharam alento, surpreendendo os mouros que fugiram monte abaixo, desmoralizados e impotentes perante a investida. À sua espera estava a população que, alertada para o que se passava, tinha pegado em armas para ajudar o jovem noivo. Sem qualquer hipótese de fuga, os mouros sucumbiram, pondo fim a um tempo de injustiça e terror. No local onde estava o castelo mouro construiu-se uma pequena ermida, cumprindo-se a promessa feita pela jovem donzela. Em homenagem à Senhora que os tinha ajudado, decidiram chamar à ermida de Nossa Senhora de Bálsamo na Mão, que depois passou a ser Nossa Senhora de Balsamão, e ao local onde os mouros foram chacinados, de Chacim, a localidade próxima de Balsamão.
Atualmente o Convento de Balsamão pertence à Congregação dos Marianos da Imaculada Conceição, e na sua origem está Frei Casimiro Wyszynski, um padre polaco que, em meados do século XVIII, veio para Portugal com o objetivo de aqui fundar a ordem. Na altura, existia em Balsamão uma comunidade de eremitas sem Regra própria, que aceitou a presença de Frei Casimiro, chegado a 6 de setembro de 1754, fundando-se aí a primeira comunidade dos Marianos em Portugal. Frei Casimiro faleceu, vítima de malária, a 21 de outubro de 1755, mas a Ordem manteve-se ativa em Portugal até 1834, ano em que foi expulsa pelo Governo liberal. A propriedade de Balsamão foi leiloada, passando para a posse de particulares. O convento foi-se arruinando, mas a Igreja continuou a ser cuidada pela paróquia de Chacim. Em 1954, os Irmãos Marianos regressaram a Balsamão e, muito recentemente, em 2010, foram inauguradas as obras que renovaram o Santuário. A Igreja sofreu profundas modificações assim como a área envolvente. Há quem procure o Paraíso na Terra. Balsamão (ainda) não o é. Mas é o local onde se ouve o silêncio…


