As Linhas de Torres, com os seus 100km de extensão, exigiam um sistema de comunicações célere e eficaz. Por isso, Wellington assegurou a vinda de marinheiros ingleses exímios na utilização de telegrafia óptica por meio de balões.
Foram escolhidos os pontos mais elevados em cada uma das linhas de defesa: na 1.ª Linha foram colocados postes de sinais em Moinho Branco (Alhandra), Forte Grande do Sobral, Serra do Socorro, Forte de S.Vicente e Forte do Grilo. A 1.ª Linha comunicava com a 2.ª Linha através da Serra do Socorro, que emitia as mensagens para o posto instalado no Cabeço de Montachique. Para leste deste ficava o posto da Serra de Serves e para oeste os postos de Sonivel, na Tapada de Mafra e de Ribamar (Ericeira). Do Cabeço de Montachique comunicava-se com Lisboa através do posto de sinais do Monsanto.
O telégrafo era constituído por um poste e uma vara, na qual estavam colocadas cinco roldanas, através das quais passavam as cordas que elevavam balões, com cerca de 50cm de diâmetro e cheios de areia. A combinação dos balões com bandeiras e galhardetes colocados no topo do mastro (para a construção das centenas) e na roldana exterior, junto à vara (para a construção dos milhares), tornava possível formar códigos até ao número 10.000.
Complicado? Não… pelo menos para os marinheiros ingleses. Bastavam sete minutos para que os 152 redutos das Linhas de Torres recebessem ordens. Mas a dúvida persiste: quando estava mau tempo – e isso aconteceu quando os franceses estiveram em frente às linhas – seria possível, realmente, estabelecer uma boa comunicação?


