As Linhas de Torres Vedras - A opinião de Lord Douro

Tive o grande prazer de visitar as Linhas de Torres Vedras em três ocasiões diferentes. De cada vez fiquei maravilhado com a dimensão e importância estratégica das Linhas. Nenhum visitante pode deixar de ficar impressionado pelos fortes que ainda sobrevivem.

Quando o meu antepassado, Sir Arthur Wellesley, a pouco tempo de se tornar Visconde Wellington, deu instruções para que se construíssem as Linhas, tomou, certamente, uma das melhores decisões da sua vida. A visão estratégica e o método prático de construção estão entre as acções mais eficazes tomadas por um comandante militar durante uma campanha. Teria sido difícil para ele imaginar que, um ano mais tarde, na retirada em direcção a Lisboa após a Batalha do Buçaco, poderia levar as suas tropas através das Linhas, para lugar seguro, com tanta facilidade. Os seus perseguidores franceses, sob as ordens do Marechal Masséna, foram impedidos de continuar o seu caminho e tiveram que recuar em mau estado. Alguns anos atrás, decidi que tinha que tentar visitar, antes dos respectivos bicentenários, os locais de batalha do meu antepassado. Esta decisão levou-me, em 2007, guiado com perícia por Pedro Avilez, a visitar alguns dos fortes nas Linhas de Torres Vedras e a Roliça e Vimeiro.

Em 2008 visitei os lugares onde o exército britânico atravessou o Douro e entrou no Porto. Nesse mesmo ano, depois de visitar o Buçaco, mais uma vez não consegui resistir a visitar as Linhas de torres Vedras.

As Linhas e os seus fortes foram construídos por dez mil milícias portuguesas e artífices: o facto de tantas destas fortificações terem sobrevivido durante duzentos anos revela a qualidade da sua construção e projecto. Qualquer visitante facilmente imagina estes fortes ainda com a sua artilharia e soldados vigiando a passagem para Lisboa. Já visitei muitos locais de campos de batalha nos últimos quatro anos, e muito poucos conservam vestígios das grandes batalhas aí travadas no passado. Mas nas Linhas de Torres Vedras há vestígios desses em abundância e são tremendamente evocativos.

Em Março de 2010 fui convidado para percorrer as linhas a cavalo, e de facto tive a sensação perfeita que eu e o meu cavalo (gentilmente cedido por Gonçalo de Vasconcellos Guisado) pisávamos as mesmas estradas e trilhos que o meu antepassado e os seus homens tantas vezes deviam ter percorrido. Não há melhor maneira de vivenciar a história da defesa de Portugal em 1810 do que esta.

A Batalha do Buçaco, em 1810, a cujo bicentenário acabei de assistir, e a criação e construção das Linhas de Torres Vedras trouxeram para um novo plano a aliança entre Portugal e Inglaterra. O sucesso das forças Anglo-Portuguesas na Guerra Peninsular foi considerável, e as Linhas são um dos lugares mais emocionantes onde se pode verificar este sucesso.

Espero que os leitores deste artigo se sintam tentados a visitar as Linhas de Torres Vedras quando estiverem em Portugal.

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Sobre o autor

Lord Douro

Lord Douro é tetraneto de Arthur Wellesley, 1º Duque de Wellington, comandante-chefe do exército aliado aquando da Guerra Peninsular

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