- José António Falcão
- Maria Carmen Pardo López
Manda a tradição que quando o dia 25 de Julho cai a um domingo estamos perante um Ano Santo Jacobeu. Ora este ano ganha, então, particular importância, até porque o próximo Jubileu compostelano só acontecerá daqui a 11 anos, em 2021. Também por isso 2010 é um ano importante para colocar na agenda o ritual antigo de percorrer os trilhos que têm como destino a famosa Basílica de Santiago Compostela. E não foi por acaso que o seminário se realizou na pacata vila de Alvito. Em tempos, este local alentejano foi um importante ponto de passagem rumo à Galiza.
Entre os oradores presentes estiveram, entre outros, José António Falcão, director do Departamento do Património Histórico e Artístico da Diocese de Beja, Carmen Pardo, secretária geral para o turismo da junta da Galiza, e Corinne Gonçalves, vice-presidente do turismo da comunidade urbana francesa de Puy-en-Velay. Os representantes dos três países foram unânimes ao afirmar que o evento foi um sucesso: “São três sócios e são muitos os Caminhos de Santiago. Em comum há o aproveitamento turístico e cultural do Caminho de Santiago”, disse à Itinerante Carmen Pardo.
Coube à secretária geral para o turismo da Junta da Galiza apresentar o projecto-piloto “Loci Iacobi – Lugares de Santiago, Lieux de Saint Jacques”, que abrange Portugal, Espanha e França. No fundo, medidas que visam não deixar cair no esquecimento os Caminhos de Santiago. Ficou a saber-se, por exemplo, que há nos dias de hoje um turista de perfil diferente, “que quer emoções, experiências novas, reencontrar-se consigo próprio e não somente ir à praia e apanhar sol”, explicou Carmen Pardo.
No caso português, a intervenção de José António Falcão assentou “numa realidade que está a emergir, felizmente, nos últimos anos, que é o resgate do Caminho de Santiago no Baixo Alentejo”, explicou o próprio. Trata-se de perceber a essência do caminho português que, ao contrário do que muitas pessoas pensam, não se limitou somente às zonas do país mais próximas da Galiza. Pelo contrário, atravessou todo o Portugal, tendo alcançado grande expressão também no Alentejo.
O director do Departamento do Património Histórico e Artístico da Diocese de Beja deu como exemplo quatro caminhos a Sul do país que estão a ser procurados por muitos peregrinos – cerca de 130 por ano, sendo que o número pode aumentar este ano: Caminho Atlântico (São Vicente/Odemira/Santiago do Cacém/Alcácer do Sal/Sines); Caminho Central (Loulé/Albufeira/Faro/Almodôvar/Castro Verde); Caminho Oriental (Serpa/Beja/Alvito/Évora); Caminho do Sul (Ferreira do Alentejo).
(Frederico Gonçalves)


