A propósito de Napoleão – Uma crónica de Berlim - A opinião de José Constantino Costa

Quase toda a Europa sofreu na “pele” os horrores das Guerras Napoleónicas. A excepção, ironia das ironias, acabou por ser a Inglaterra, o país que Napoleão queria realmente ter conquistado…

A Alemanha, na altura Prússia, foi uma das primeiras nações a conhecer o poderio e os efeitos da máquina de guerra napoleónica e Berlim, capital do reino, foi das cidades mais afectadas.

Estou em Berlim, pela primeira vez, e estou impressionado com a sua monumentalidade. É uma cidade muito antiga – data de 1237 o primeiro documento histórico berlinense – mas os acontecimentos ocorridos nos últimos 70, 80 anos – nazismo, 2ª Guerra Mundial, construção e queda do Muro – tornaram Berlim numa cidade moderna, em permanente transformação e construção, certamente muito diferente daquela que Napoleão ocupou.

Mas a Porta de Brandenburgo (Brandenburger Tor), ex-libris de Berlim, símbolo da reunificação alemã, já existia na altura – foi construída por Carl Gotthard Langhans entre 1789 e 1791 – e “sentiu” a “marca” de Napoleão! A 27 de Outubro de 1806, o exército francês, depois de derrotar as tropas prussianas nas batalhas de Iena e Auerstedt, entra em Berlim, pela Porta de Brandenburgo e para demonstrar o seu poder, Napoleão envia para Paris a quadriga que encima o monumento. O regresso só acontecerá em 1814, após a vitória prussiana na batalha de Leipzig; é nessa altura que, por vontade de Frederico Guilherme III, a deusa Irene passa a segurar a cruz de ferro e a águia prussiana, simbolizando o triunfo sobre o exército francês; o símbolo da paz com que foi construída foi substituído pelo da vitória. Significativo das privações e do sofrimento por que passou o povo prussiano.

A passagem de Napoleão por Berlim não afectou apenas os berlinenses. Nós, portugueses, de forma indirecta, fomos também atingidos… Foi aqui que, a 21 de Novembro de 1806, Napoleão assinou o Decreto de Berlim impondo o Bloqueio Continental aos barcos britânicos. A nossa atitude dúbia – dissemos que sim mas fizemos que não… – “aborreceu” Napoleão e ele “respondeu” com as (nossas) Invasões Francesas…

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Sobre o autor

José Constantino Costa

Editor do bloco "Conhecer" da revista Itinerante