Os tempos de guerra são tempos de inovação. Custa que assim seja mas, como já alguém disse, o medo e o desespero são, à sua maneira, poderosos desbloqueadores do desenvolvimento. As guerras Napoleónicas são disso exemplo. A lata de conservas, sem a qual, actualmente, não conseguimos viver, foi pensada e desenvolvida nessa altura.
Claro que, em finais do século XVIII, o processo era rudimentar e muito evoluiu desde então, mas os fundamentos foram nessa altura apresentados por Nicolas Appert, um industrial francês que inventou um método para preservar os alimentos, em resposta a um desafio lançado em 1795, por Napoleão que oferecia um prémio de 12 mil francos a quem o ajudasse a solucionar o problema já que estava preocupado com a fome que os seus soldados passavam, sobretudo quando estavam longe, em combate.
Appert desconfiava que o ar estragava os alimentos e, por isso, decidiu introduzi-los, após os escaldar em banho-maria, em frascos de vidro hermeticamente fechados. Um ano depois eles continuavam comestíveis. O problema era o vidro… partia-se muito e era pesado.
É nesta parte da história que entram os ingleses… em especial o comerciante Peter Durand. Se os frascos de vidro não são suficientemente resistentes então utilize-se recipientes de metal e em 1810 registou a patente de um recipiente cilíndrico, em aço, com tampa soldada, fácil de manusear e acomodar.
O único “incómodo” era abrir as latas… Nada que, em tempo de guerra, uma baioneta não resolvesse ou mesmo um tiro para as situações mais embaraçosas. O abre-latas só foi descoberto por volta de 1850 – e isto porque só nessa altura a lata “ganhou” rebordo na parte superior, permitindo que fosse “agarrada” –, por iniciativa do norte-americano Ezra J. Warner. Era enorme e o seu manuseamento não era isento de risco, tanto para quem abria a lata como para quem assistia! Finalmente, em 1870, o também norte-americano William W. Lyman registou a patente de um abre-latas, semelhante aos actuais, com uma roda cortante a girar em volta do rebordo da lata… e obteve grande sucesso. Quem diria; desde o desafio de Napoleão foram precisos setenta e cinco anos para que o círculo se fechasse!

Pequeno artigo interessantíssimo.
Continuem o bom trabalho e façam artigos sobre Geocaching, já agora
Como diria a minha professora de História:
“As guerras eram coisas terríveis mas mais “terrível” era o avanço tecnológico que cada uma delas provocava na sua era!”
Continuem com o vosso bom trabalho^^